DeFi esfria no semestre e perde bilhões, mas tokens começam a reagir
O mercado de finanças descentralizadas (DeFi, na sigla em inglês) deu uma esfriada no primeiro semestre de 2026. Caíram os valores depositados nas plataformas, os empréstimos e a negociação nas exchanges descentralizadas (as corretoras de cripto que funcionam por meio de contratos inteligentes), entre outras métricas.
Todos os dados estão em um levantamento sobre o setor publicado pela BTG Pactual nesta semana.
Só para lembrar: DeFi é o conjunto de aplicações, projetos, serviços e produtos monetários que rodam em uma blockchain, a tecnologia por trás das criptos, sem depender de intermediários tradicionais, como bancos.
Agora vamos aos números.
O valor total depositado nessas plataformas caiu de US$ 61,3 bilhões para US$ 36,4 bilhões, uma queda de 40,6%. Já os empréstimos ativos recuaram de US$ 39,6 bilhões para US$ 23,8 bilhões (-39,9%).
A Aave, plataforma líder do setor, que também dá nome ao token AAVE, registrou uma queda de 54% nos empréstimos ativos ao longo do semestre. O token, por sua vez, perdeu 43% de valor no período.
Esse cenário é reflexo do “enfraquecimento da demanda por criptoativos, que também pressionou os demais setores de DeFi no semestre”, escreveram os analistas cripto do banco.
Com o rali dos últimos dias, no entanto, o segmento começou a reagir. O próprio AAVE subiu 43% nos últimos sete dias.
E as DEXs (sigla em inglês para as exchanges descentralizadas)? O volume de negociação nas caiu de US$ 7,8 bilhões para US$ 4,3 bilhões entre janeiro e junho, uma queda de 45%.
A Uniswap, a DEX mais famosa do pedaço, também sofreu. Seu token, o UNI, foi um dos que mais recuaram no setor, com queda de 52% no semestre.
Mas, de novo, houve recuperação na última semana: o token deu um salto de 30%.
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DeFi em números
O valor total bloqueado em plataformas DeFi está hoje em US$ 87,9 bilhões, impulsionado pela alta recente, segundo dados da plataforma DeFiLlama. É uma queda de 47% em relação aos US$ 166 bilhões registrados em outubro do ano passado, quando o mercado cripto vivia um dos seus melhores momentos.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.
Bitcoin (BTC): -0,78%, US$ 78.2640,48
Ethereum (ETH): -0,54%, US$ 2.468,43
BNB (BNB): +0,96%, US$ 706,40
XRP (XRP): -3,63%, US$ 1,43
Solana (SOL): -2,23%, US$ 97,45
Outros destaques do mercado cripto
Próxima parada, Brasil? Falando em DeFi… a Ondo Finance, protocolo de finanças descentralizadas, quer ampliar sua presença no Brasil. A notícia foi dada pelo pessoal do BitNotícias. Segundo um dos líderes da firma, há alguns motivos para isso: o país tem proximidade com o mercado de capitais dos Estados Unidos, uma comunidade forte de usuários de cripto e histórico de adoção de novas tecnologias financeiras.
Tokenização dos bancos: um pouco lenta. A IBM, gigante americana de tecnologia, divulgou uma pesquisa sobre tokenização no setor bancário. E o Brasil, com seu mercado cripto movimentado, apareceu por lá. Por aqui, 23% dos executivos bancários consideram a tecnologia por trás das criptos uma peça central para o futuro. Mas só 8% acreditam que suas instituições estarão prontas para adotá-la ainda neste ano. A média global é um pouco maior: 9%.
Dormi startup cripto, acordei banco. A regulação do mercado cripto brasileiro continua gerando discussão entre os players do setor. Em um evento em São Paulo nesta semana, Regina Pedroso, diretora executiva da Associação Brasileira de Tokenização e Ativos Digitais (ABToken), resumiu o impacto das novas regras de um jeito curioso: “muitas firmas dormiram startups e acordaram bancos no setor de criptoativos” no Brasil.
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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Lucas Gabriel Marins