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O país que agora tem o maior superávit comercial com os EUA é… o Vietnã

Um ano depois de o presidente Donald Trump lançar uma estratégia para reorganizar o comércio global em favor dos Estados Unidos, o maior vencedor acabou sendo o Vietnã.

No primeiro semestre deste ano, dados do governo federal mostram que o superávit comercial do Vietnã com os EUA chegou a US$ 114 bilhões, à frente de Taiwan, polo de semicondutores, do México e até da China.

O resultado é inesperado para uma economia com um quarto do tamanho da mexicana e é fruto de anos de reaproximação após a Guerra do Vietnã e de um acelerado desenvolvimento capitalista na nação comunista. Mas alguns dos maiores impulsos às exportações vietnamitas para os EUA vieram da guerra tarifária global de Trump.

Depois de atingir as importações chinesas durante seu primeiro mandato, o presidente voltou a impor as tarifas mais altas sobre os produtos do país como parte das tarifas do chamado “Dia da Libertação”, no ano passado.

Apesar dos esforços recentes para estabilizar as relações entre as duas superpotências, a alíquota tarifária efetiva sobre as importações chinesas era de 23,2% em junho, segundo o Penn Wharton Budget Model, bem acima da média global de 7%.

Trump disse que seu objetivo era reativar a manufatura americana. Em vez disso, as tarifas transferiram parte da produção da China para seu vizinho do sudoeste, o Vietnã, onde a alíquota efetiva estava em 6,5% em junho.

Apple, Nike e Lululemon estão entre as grandes firmas que fizeram essa mudança na última década.

Fabricantes menores seguiram o mesmo caminho. Em 2024, a TOV Furniture, com sede em Miami, comprava 60% de seus sofás, camas e outros produtos da China, e apenas 25% do Vietnã. Hoje, a proporção se inverteu: 60% dos móveis da TOV vêm do Vietnã, contra 25% da China.

As importações da firma provenientes do Vietnã estão sujeitas a uma tarifa de 25%, metade da taxa aplicada aos produtos chineses. “Nós mudamos simplesmente por causa das tarifas”, disse o fundador Bruce Krinsky.

O Vietnã não é o maior exportador de mercadorias para os EUA. México e Canadá estão muito à frente, enquanto Taiwan e China aparecem pouco antes do Vietnã, que ocupa a quinta posição. Mas o Vietnã importa muito menos produtos dos EUA — ao mesmo tempo em que os americanos dependem cada vez mais do país do Sudeste Asiático para manter baixos os preços de eletrônicos, móveis e tênis.

No primeiro semestre deste ano, as importações dos EUA provenientes do Vietnã chegaram a US$ 123 bilhões, alta de 40% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do governo federal. O valor das importações vietnamitas nesses seis meses superou os US$ 114 bilhões registrados durante todo o ano de 2023.

Enquanto isso, as importações chinesas caíram para US$ 129 bilhões no primeiro semestre deste ano, ante US$ 168 bilhões no mesmo período.

O assessor comercial da Casa Branca, Peter Navarro, tem reclamado que firmas chinesas estão desviando seus produtos por meio de outros países, como no caso de roupas quase prontas enviadas a terceiros para receber os acabamentos finais.

Embora exista o transbordo ilegal de mercadorias, ele não é o principal fator por trás do salto das exportações para os EUA, afirmou Mark Gillin, presidente da Câmara de Comércio Americana no Vietnã.

Cerca de 60% das exportações vietnamitas para os EUA são classificadas como máquinas, eletrônicos ou eletrodomésticos, setores dominados por grandes firmas com operações no Vietnã, como Samsung, Intel e a fabricante de eletrônicos Foxconn, disse Gillin.

“Você olha para o enorme crescimento dos eletrônicos e sabe de onde eles estão vindo”, afirmou. “Não se trata de roupas atravessando a fronteira e recebendo uma nova etiqueta.”

Escreva para Stu Woo em Stu.Woo@wsj.com.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original

Autor: The Wall Street Journal

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